terça-feira, 15 de março de 2011

Por um dente-de-leão.


A garota de cabelos cúpricos que sorridente passava na esquina de uma rua qualquer, encontrou um gracioso dente-de-leão; seus olhos brilharam de alegria, suas suaves mãos rapidamente deslizaram ao chão, colhendo o pequeno dente-de-leão.
Pousando seus cílios fez um desejo, e com toda sua esperança, soprou-o. Num instante os floquinhos de dente-de-leão pairavam pelo ar, carregados delicadamente pela brisa, como numa viagem sem fim;
E naquela cena seus fascinados olhos denunciaram a súbita felicidade que aquela garota sentia.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Farol de tinta.


Disse que seu tempo acabava
Pois o cansaço vencia os ventos
E que podia apenas ver o pôr das horas.

Contestar-te não pude,
Alegrar-me não mais;
Via apenas suspiros teus
Sobre os meus olhos molhados.

O mar embalou meu canto seco
Mostrando os dias esquecidos
Dentro de um balde de conchas.
Não pude deixar o grito ecoar,
O fôlego não chegou até o final.

E como um último sopro;
Os dedos deslizando a espinha
Voltaram a tinta.
As canções suspiradas,
Voltaram a margem.

O farol quase amante
Deixou-se cenário.
E o pôr das minhas horas,
Voltou a ser imagem.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Menos moscas; Mais foco.


Há algum tempo, vinha sem motivação ou inspirações aparentes, assim resolvi  deixar tudo o que fazia, vazio e às moscas.
  Falta de tempo? Talvez, a vida corriqueira pode ter atrapalhado um pouco minha cabeça, mas o jeito como abandonei minha imaginação tinha pontinhas em muitos outros motivos, que nem eu sabia quais eram.
" -Ah! Gabriela, talvez foi uma época intensa, dramática." " - Quem sabe não foi uma sensibilidade maior que bateu naquela hora?" Não, existia um outro cascalho muito maior que travava o rio de meus pensamentos.
  A percepção aguçada do mundo a sua volta, a tal sensibilidade, é movida a expectativas; é a esperança, é cada pequeno sonho! Era exatamente o que não existia mais. Porém, focos renovados e sonhos férteis não faltavam apenas em mim, é um remédio que está em constante falta nas prateleiras da humanidade.
  Ninguém consegue viver apenas com comida e oxigênio, se fosse desse jeito, não haveria stress e depressão. O combustível de nossa sanidade é o sonho.
  Sabe as moscas? Voaram por ai procurando outra cabeça para infernizar, pois meu anseio é ter expectativas novas pela manhã, e focar minha inspiração no maior vendedor de sonhos que o mundo já conheceu.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Meu café de boteco.


Um copo de café requentado
Só meu e meio gelado
Pra acalmar os soluços úmidos
Que já saem cansados.

Do meio copo de café
Se é de metade cheia ou vazia
Ela não sabe não
Se é cafeteira ou confusão.

Um copo meio sem café
Pra garota ali do lado
Que desapercebida passa
Sem pó nem grão.

Precisa de mais café
Pra beber logo e embriagar
Os impessoais cortes inflamados
De tanta pessoa que tem.

Só um pouco de café
Forte e sem açúcar
Num copo qualquer
Num boteco jogado.


                   Pequena como as coisas.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Corrida de gotas.

Amo o som da chuva, mas infelizmente não é tão fácil escutá-lo, pois as paredes frias do meu quarto não me deixam ouvir. Então espero e espero, assim quando os primeiros pingos começarem a deslizar pela minha janela, estarei lá fora para ouvi-la cair.


                              Pequena como as coisas.

terça-feira, 23 de novembro de 2010


                                         Jellyfish
                        Qualle    
                        Medusa
                        Méduse
                        μέδουσα
                           Água-viva.
                        

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sobre o Sentido sentido.


Falta da falta que (não) senti,
Do caminho que (não) andei
E do amor que (não) amei

Porque corri e (não) fui lá
Chorei (s)em encontrar
No lugar (quase) existente
Do caderno que (nunca) apareceu

E as estrelas (fora) do desenho
Que um dia desenhei?
como (não) pude amar
um (quase) alguém

(in)existente.

                             Pequena Como as Coisas.