Ela não sabe o que dizer, sempre enroscada nas sórdidas descrições. Apenas dê um tempo para ela poder mostrar.
terça-feira, 22 de maio de 2012
(Quase) História de nós dois.
Podíamos ser como unha e carne, de um jeito simples e descomplicado, podíamos sorrir todas as vezes que víssemos uma tarde chuvosa, e andar de bicicleta aos sábados no parque.Eu poderia fazer um café forte e sem açúcar as 07:00. Todos os dias. E você buscar os pãezinhos na padaria. Sairíamos para trabalhar cada um do seu lado, você me daria um beijo na ponta do nariz, e eu sorriria com os olhos.
Quando voltássemos eu faria um bolo de limão com calda de baunilha, como você gosta. Sentaria no balcão da cozinha balançando os pés enquanto você coloca as mãos ao redor de minha cintura.Passaríamos a noite acordados matando um exército de zumbis nazistas e você daria aquela risada forçada dizendo que me deixou ganhar, quando na verdade sabe que sou melhor que você nesse jogo.Tomaríamos um banho gelado só para deitar na cama quentinha encolhendo os pés para baixo dos cobertores. Quando eu dissesse não, você me mataria de cócegas até eu concordar, independente do assunto.
Formaríamos uma dupla de briga, como Bonnie e Clyde, e eu jamais discordaria da sua palavra quando jurasse de coração, fazendo um pequeno x no peito, mesmo quando soubesse que estava certa.Poderíamos ter uma vida feliz, casar e comprar uma bicicleta, até mesmo ter um gato. Poderíamos ser os dispostos que se atraem, como quem quer ficar junto a vida toda. Poderíamos ser o que quiséssemos, um dia de super-heróis, um dia de vilões, um dia de choros e outro de alegrias. Eu e você.
Pequena Como As Coisas.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Loja aleatória.
- Me interesso com intensidade, desapego com facilidade. Por que se arriscar então, meu bem? - Disse a garota de voz rouca e doce.- De coisa mal feita e arriscada minha loja é feita. - Tem Certeza? - Disse o rapaz de olhar azul. - Essa Não tem pra hoje não seu moço, tá em falta pelas redondezas aqui. Só tem coisa malfeita, apego e mordida, mas corre que tá quase acabando, a Coragem foi embora e levou quase tudo. Vai comprar mesmo assim? - Vou levar tudo, gosto do mal feito, tem mais sabor. - Vai levar como? - Posso levar o apego nos olhos, mas a mordida é pra agora. Pequena como as coisas.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Vômito.
Hoje é dia de enfiar o dedo na garganta e vomitar tudo que tem causado dor de estômago, azia. Aqueles pedaços de falta de caráter mal digeridos, as doses de cinismo bebibas em horários ruins e aqueles petiscos de sentimentalismos Embebidos de carência que comi na noite passada. Comidas pesadas assim não fazem bem de noite.
Hoje vou vomitar mesmo, jogar todas as porcarias que comi fora. Talvez até tenham algumas proteínas boas que comi junto, um pouco de risadas, talvez uma ou duas trocas de olhares que poderiam valer a pena, mas se eu deixar toda a quinquilharia dentro de mim por uma ou duas coisas boas, vou acabar com uma bela intoxicação emocional.
Gabriela Fertonani.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Borboletas no desenquadro.
A menina dos cabelos metade presos, que dançava pelas ruas da praça em todos os finais de tarde, com seu vestido esvoaçante coberto de paná-paná. Sentava-se no banquinho mais belo do parque, e assistia o pôr-do-sol.
O garoto de cabelos desgrenhados, sob um charmoso chapéu surrado, que fazia graça dentro de seu olhar azul. Um jovem pintor, sentado num banquinho da esquina, fazendo um quadro novo a cada tarde que descia.
Nesse quadro triste e inseguro os dias passavam e as borboletas quase desbotavam, pois um chapéu surrado e um vestido esvoaçante pintavam um diálogo mudo e sem sabor.
Porém um belo dia, o vento cansado dessa situação fria, soprou e soprou! O chapéu dançava e o vestido bailava. Por um instante as borboletas voaram, fizeram a primeira e última valsa de outono. Aconteceu assim, de tal forma e intensidade que uma borboleta inebriada da dança, ficou presa dentro do charmoso chapéu surrado, deixando o paná-paná do vestido um pouco desfalcado...
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Onze e trinta e três.
Caro leitor, o texto de hoje não é poético, nem mesmo tem algum fundo em situações ou relações mal resolvidas. O texto de hoje é como um comentário sobre alguns acontecimentos ocorridos minutos atrás.
Não eram seis da manhã quando levantei da cama; tomei meu chá, acordei meu irmão, e fiz todos os outros itens da minha rotina. A coisa mudou na última aula da última segunda-feira antes das férias.
Assisti um documentário fascinante sobre os "Doutores da alegria", e ouvi o professor ler um trecho de uma entrevista. Em uma das perguntas o jornalista questionou a entrevistada sobre o dia mais importante do mundo no ponto de vista dela, e sua resposta curta e suave deixou-me intrigada, pois se perguntassem a mim ontem eu responderia o contrário. O sinal bateu, sai da sala com a resposta entalada na garganta, fui compreender a dimensão da resposta nos tais minutos atrás que mencionei.
Liguei a televisão treze e vinte e dois da tarde, estava nos minutos finais de "A fantástica fábrica de chocolate" regravado em 2005. Um filme fantástico na minha opinião; não só pelo fato de conter Burton, Depp e Bonham Carter, (que
nem preciso comentar pois são maravilhosos) , mas pela atitude peculiar de Charlie que ao contrário do mundo, escolheu a família e não o sonho. Quantas pessoas valorizam mais elas mesmas do que a família? E quando a perdem ficam arrependidos por tal atitude? Isso é um tema intrigante, mas não é o foco deste texto.
Sai de casa pelas quatorze e dez, quando deveria sair às quatorze, não sou o que você poderia chamar de pontual, na realidade me atraso mais do que chego no horário. Porém, não poderia ser considerado um atraso, já que meu treino foi cancelado. Enfim, vi um casal na porta de um colégio ou faculdade, não sei ao certo, a intensidade da despedida, do olhar ferido por mágoas anteriores, das mãos frívolas do garoto na cintura da menina, foram intensos sim. Porém o que fez o arrepio irradiar meu corpo, foi a frieza das pessoas ao redor daquela que acho que posso chamar de "última despedida".
Despedida é algo que nunca gostei, até hoje sinto arrepios em velórios, mais ainda em leitos de hospital. Infelizmente para mim, esta não foi a última despedida do dia de hoje. Aproximadamente a um mês atrás, fui ao velório de uma Tia velhinha que estava muito doente. Seu marido é um dos homens mais queridos que já conheci, e quando ela morreu, fez a seguinte declaração, "Ô filhinha, meu benzinho foi pro céu. Queria ter subido primeiro, mas não consegui e ela foi mais cedo, obrigado por ter vindo dar adeus a ela aqui. Não sei quando tempo mais vou durar neste mundo de passagens, quero encontrá-la junto com o Senhor Jesus.", confesso que enchi os olhos d'água naquele momento.
Hoje pelas dezoito e trinta fui visitá-lo, ele passara dez dias internado no hospital, a tal doença nos pulmões tomou proporções maiores das que ele poderia aguentar. Não pude ficar em sua aconchegante e nostálgica sala de estar mais que vinte e cinco minutos, minha irmã tinha horário para chegar em casa, pois tem um compromisso muito importante hoje a noite. Porém os vinte e cinco minutos em que estive lá, ficarão guardados para sempre, pois mesmo doente não mudou o tom suave de sua voz, nem mesmo seu olhar calmo e azul. Conversou com todos, e até o último minuto falou da obra de Deus, algo que admiro muito, pois ele realmente viveu o propósito de Deus na sua vida.
Quando entrei no carro, a opção shuffle estava ativada e tocou uma música que gosto muito e não escutava há tempos "Leaving on a jet plane" que se encaixa muito bem na situação, curioso, não?
A resposta da pergunta no início do texto foi hoje, e realmente hoje é o dia mais importante do mundo, mesmo com todas as despedidas e todos outros momentos, pois talvez eu chore, estude, ria, durma, mas vou fazer tudo hoje, pois não sei o que acontecerá amanhã.
Ah! E sobre o horário no título do texto, não vou explicar, use a imaginação.
Não eram seis da manhã quando levantei da cama; tomei meu chá, acordei meu irmão, e fiz todos os outros itens da minha rotina. A coisa mudou na última aula da última segunda-feira antes das férias.
Assisti um documentário fascinante sobre os "Doutores da alegria", e ouvi o professor ler um trecho de uma entrevista. Em uma das perguntas o jornalista questionou a entrevistada sobre o dia mais importante do mundo no ponto de vista dela, e sua resposta curta e suave deixou-me intrigada, pois se perguntassem a mim ontem eu responderia o contrário. O sinal bateu, sai da sala com a resposta entalada na garganta, fui compreender a dimensão da resposta nos tais minutos atrás que mencionei.
Liguei a televisão treze e vinte e dois da tarde, estava nos minutos finais de "A fantástica fábrica de chocolate" regravado em 2005. Um filme fantástico na minha opinião; não só pelo fato de conter Burton, Depp e Bonham Carter, (que
nem preciso comentar pois são maravilhosos) , mas pela atitude peculiar de Charlie que ao contrário do mundo, escolheu a família e não o sonho. Quantas pessoas valorizam mais elas mesmas do que a família? E quando a perdem ficam arrependidos por tal atitude? Isso é um tema intrigante, mas não é o foco deste texto.
Sai de casa pelas quatorze e dez, quando deveria sair às quatorze, não sou o que você poderia chamar de pontual, na realidade me atraso mais do que chego no horário. Porém, não poderia ser considerado um atraso, já que meu treino foi cancelado. Enfim, vi um casal na porta de um colégio ou faculdade, não sei ao certo, a intensidade da despedida, do olhar ferido por mágoas anteriores, das mãos frívolas do garoto na cintura da menina, foram intensos sim. Porém o que fez o arrepio irradiar meu corpo, foi a frieza das pessoas ao redor daquela que acho que posso chamar de "última despedida".
Despedida é algo que nunca gostei, até hoje sinto arrepios em velórios, mais ainda em leitos de hospital. Infelizmente para mim, esta não foi a última despedida do dia de hoje. Aproximadamente a um mês atrás, fui ao velório de uma Tia velhinha que estava muito doente. Seu marido é um dos homens mais queridos que já conheci, e quando ela morreu, fez a seguinte declaração, "Ô filhinha, meu benzinho foi pro céu. Queria ter subido primeiro, mas não consegui e ela foi mais cedo, obrigado por ter vindo dar adeus a ela aqui. Não sei quando tempo mais vou durar neste mundo de passagens, quero encontrá-la junto com o Senhor Jesus.", confesso que enchi os olhos d'água naquele momento.
Hoje pelas dezoito e trinta fui visitá-lo, ele passara dez dias internado no hospital, a tal doença nos pulmões tomou proporções maiores das que ele poderia aguentar. Não pude ficar em sua aconchegante e nostálgica sala de estar mais que vinte e cinco minutos, minha irmã tinha horário para chegar em casa, pois tem um compromisso muito importante hoje a noite. Porém os vinte e cinco minutos em que estive lá, ficarão guardados para sempre, pois mesmo doente não mudou o tom suave de sua voz, nem mesmo seu olhar calmo e azul. Conversou com todos, e até o último minuto falou da obra de Deus, algo que admiro muito, pois ele realmente viveu o propósito de Deus na sua vida.
Quando entrei no carro, a opção shuffle estava ativada e tocou uma música que gosto muito e não escutava há tempos "Leaving on a jet plane" que se encaixa muito bem na situação, curioso, não?
A resposta da pergunta no início do texto foi hoje, e realmente hoje é o dia mais importante do mundo, mesmo com todas as despedidas e todos outros momentos, pois talvez eu chore, estude, ria, durma, mas vou fazer tudo hoje, pois não sei o que acontecerá amanhã.
Ah! E sobre o horário no título do texto, não vou explicar, use a imaginação.
terça-feira, 15 de março de 2011
Por um dente-de-leão.
A garota de cabelos cúpricos que sorridente passava na esquina de uma rua qualquer, encontrou um gracioso dente-de-leão; seus olhos brilharam de alegria, suas suaves mãos rapidamente deslizaram ao chão, colhendo o pequeno dente-de-leão.
Pousando seus cílios fez um desejo, e com toda sua esperança, soprou-o. Num instante os floquinhos de dente-de-leão pairavam pelo ar, carregados delicadamente pela brisa, como numa viagem sem fim;
E naquela cena seus fascinados olhos denunciaram a súbita felicidade que aquela garota sentia.
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